Shampoos

Atualizado: 27 de Mar de 2019


O cabelo e o couro cabeludo acumulam ampla variedade de impurezas, como sujidades do meio ambiente, resíduos de cosméticos, além de oleosidade produzida pelo couro cabeludo e células mortas descamadas. Os cabelos sujos perdem o brilho, tornam-se rebeldes e com odor desagradável. Para reverter esse processo natural, os shampoos agem limpando e tratando os fios e o couro cabeludo. Durante esse processo de limpeza, é importante que o shampoo tenha uma formulação adequada que confira a ele um poder detergente suficientemente capaz de eliminar as sujidades, mas que também respeite o conteúdo graxo dos cabelos e do couro cabeludo.

  Assim, um bom shampoo deve apresentar as seguintes características:

  • bom poder de detergência, a fim de cumprir seu papel de limpeza;

  • bom poder espumógeno: não existe relação entre espuma e limpeza, mas um bom shampoo deve produzir espuma densa, abundante e duradoura para ser bem aceito pelo consumidor;

  • viscosidade adequada: a viscosidade de um shampoo tem a função de evitar que o produto escorra pelos dedos durante sua utilização, não estando relacionado com a concentração de detergentes;

  • não deve ser irritante aos olhos, possuindo pH adequado;

  • deve ser facilmente enxaguável, não deixando resíduo pegajoso;

  • deve conferir penteabilidade aos cabelos molhados;

  • deve conferir maleabilidade, ou seja, os cabelos não devem ficar elétricos, ou encrespados após a lavagem (é o chamado efeito "anti-frizz");

  • deve fornecer brilho aos cabelos.

  Para tanto, o shampoo precisa conter os seguintes componentes:

  • agentes de limpeza (tensoativo - detergente):

- tensoativo primário: tensoativo principal, maior responsável pela limpeza dos cabelos;

- tensoativo secundário: aquele que sozinho não tem bom poder de limpeza, mas é importante na formulação por garantir estabilização da espuma, viscosidade e suavidade.

  • agente perolizante

  • espessantes.

  • conservantes, para evitar contaminação;

  • composição aromática, para perfumar os cabelos, dando sensação de limpeza e bem estar;

  • agentes condicionantes;

  • aditivos, para tratar o cabelos.


AGENTES DE LIMPEZA

  A água, sozinha, não lava eficientemente. Para uma boa limpeza, é preciso que ela seja misturada com detergentes.

  São vários os detergentes utilizados no preparo de shampoos, os quais visam os seguintes objetivos: detergência, sobreengosduramento, espessamento e produção de espuma.

  O detergente mais conhecido é o "sabão", que foi o primeiro a ser inventado.

  O sabão é produzido basicamente pelo aquecimento de gorduras e óleos com um alcali, normalmente soda cáustica.

  Em água branda produzem espuma abundante e deixam os cabelos condicionados, maleáveis e brilhantes. Porém se a água for dura, formam-se sais insolúveis de cálcio e magnésio, que se depositam nos fios, deixando-os opacos. Além disso, sabões feitos por esse processo, apresentam pH alcalino, que é incompatível com o pH do couro cabeludo e dos cabelos, que é em torno de 5,5. O uso cosntante desses produtos podem levar ao ressecamento dos cabelos e do couro cabeludo.

  Entre 1910 - 1920, com o aumento da população da Europa e Estados Unidos, os óleos e gorduras foram progressivamente destinados ao consumo alimentar, o que se agravou durante a segunda guerra mundial. Assim, pesquisas para o desenvolvimento de detergentes sintéticos foram estimuladas e aceleradas, sendo que após os anos 50 surge o primeiro detergente sintético: ododecil benzeno sulfonato de sódio. Esse detergente tem efeito irritante e provoca ressecamento dos cabelos e couro cabeludo, não sendo mais utilizados em cosméticos.

  Atualmente, os detergentes utilizados em cosméticos pertencem as seguintes classes:


  1. Alquilsulfatos

  Exemplo: lauril sulfato de sódio (mais comum), lauril sulfato de amônio, lauril sulfato de monoetanolamina, lauril sulfato de trietanolamina.

Em alta concentração são irritantes, mas podem ser usados sem maiores problemas quando apropriadamente formulados.

 Apresenta a desvantagem de ter sua solubilidade reduzida a uma temperatura em torno de 15°C. Assim, em regiões onde a temperatura é mais amena, o shampoo turva.


2. Alquiletersulfatos

Nessa classe se encontra o famoso lauril éter sulfato de sódio

Apresentam maior solubilidade e menor irritabilidade, porém seu poder espumógeno é menor que o anterior. Possuem boa viscosidade, produzindo shampoos que necessitam de baixa concentração de eletrólitos (sal).

  Sua concentração de uso é de 15 - 35%.


3. Sulfosuccinatos

Exemplo: lauril éter sulfosuccinato de sódio.

  Não produz tanta espuma quanto o lauril éter sulfato de sódio, mas apresentam baixo potencial de irritação aos olhos e pele, dando origem a shampoos suaves, por isso são muito utilizados em shampoos infantis.

  Oferecem relativa substantividade aos cabelos, apresentando com isso certo poder condicionador, deixando os cabelos leves e sedosos.

 Possuem viscosidade limitada, por isso os shampoos produzidos com esse detergente precisam de quantidades maiores de eletrólitos para espessar.

  Sua concentração de uso é de 15 - 35%.


4. Sarcossinatos

Exemplo: lauril sarcossinato de sódio.

  São muito utilizados em shampoo com apelos "sem sulfatos".

  São suaves, bons agentes de limpeza e condicionamento, apresentando baixa irritabilidade a pele e olhos. São biodegradáveis e de origem natural.

  Apresentam a desvantagem de serem caros e de formarem precipitados em água dura, o que interfere no seu poder limpeza.

  São difíceis de espessar, necessitando de componentes especiais para dar viscosidade adequada ao shampoo.

  Concentração de uso: 15 - 35%. 


5. Isetionatos

Exemplo: isetionato de sódio.

  Assim como os sarcossinatos, são muito utilizados em shampoo com apelos "sem sulfatos".

  São tensoativos sofisticados que apresentam poder espumógeno excelente , semelhante aos sabões.

  São pouco irritantes, insensíveis a água dura. São encontrados na forma de pó, ou escamas e apresentam o inconveniente de serem difíceis de trabalhar, pois são pouco solúveis a temperatura ambiente, necessitando de aquecimento para solubilização.

Concentração de uso: 10 - 15%


6. Metiltauratos

Exemplo: Oleil Metil Taurato de Sódio

  Também são utilizados em shampoo com apelo "sem sulfatos".